Artigos do Padre

14/05/2015 - Artigos do Padre Haroldo - Um exercício de orgação

UM EXERCÍCIO DE ORAÇÃO

Preparação: releia a narrativa evangélica em Lc 22, 39-52. Alternativas: Mt 26, 30.36-56 ou Mc 14, 26.32-52.

Repouse o corpo e o espírito como foi exemplificado no primeiro capítulo.

Peça, com desejo, a graça de se dar todo à oração neste tempo: oração preparatória.

Componha o lugar, segundo o Evangelho, vendo o bosque das oliveiras, o vulto do Senhor prostrado por terra, à certa distância dos três apóstolos desanimados e adormecidos, todos afastados da gruta do espremedor de azeitonas (o “getsêmani”), onde ficaram os demais. Veja-se lá testemunhado, como o jovem envolto no lençol, entre os troncos das velhas árvores.

Peça o que quer diante desta Agonia espantosa. Peça que o seu coração se toque e chore diante da malícia, da injustiça, do massacre do Inocente. Que você caia na conta de que tudo isso lhe diz respeito. Você também é responsável. Suplique:

“Dor, sentimento, compaixão porque por meus pecados o Senhor vai à paixão”.

Sem pressa de ir adiante, comece olhando as pessoas envolvidas neste mistério da nossa salvação, sem esquecer de se “vêr” lá também. Fique atento às próprias reações. Reze o que sente... Detenha-se, sobretudo, olhando o Cristo em seu combate mortal... Reflita, então, para tirar algum proveito.

A seguir, sempre atento ao que lhe é dado sentir e perceber, pronto a passar à súplica, ao louvor, às confidências ou ao silêncio de adoração e compaixão... ouça as pessoas: ouça o ressonar dos apóstolos, as suas reações vagarosas e espantadas quando o Mestre os chama... Traga à memória os conselhos e apelos que Ele lhe tem feito para que você não caia em tentação. Ouça os outros apelos que Ele lhe tem feito tanto pessoalmente quanto através dos outros, dos acontecimentos ou das Escrituras...

Demore-se particularmente ouvindo a insistente súplica de Jesus ao ABBA... Reze a partir do que sente... Reflita para tirar algum proveito.

Considere como o Senhor, confortado pela oração, conformando em sua humanidade inteiramente com a vontade de salvação do Pai, aceita o beijo do traidor e se deixa prender.

Empenhe-se em sentir compaixão, em se perceber alvo deste amor entregue até o extremo com que Jesus o ama. Consinta em lágrimas, como quem aceita um dom:

“Dá-me, Bom Jesus, um coração de carne, um coração capaz de compaixão”.

Conclua falando ao Pai, ao “Paizinho”, o que lhe ocorrer, sem deixar de lhe expor dúvidas, receios, ansiedades, enfim, o que for que brotar em seu profundo. Confiante. Confidente. Sempre atento para ouvir com os ouvidos do coração.

Encerre com o “Pai nosso”.

LEMA

Senhor, neste século apressado, superficial, em que a matéria abafa a dimensão espiritual, só nos resta um caminho de salvação: o retorno ao silêncio, à prece, à meditação, onde cresce a flor da maturidade.
Se eu não souber acolher meu irmão carente, ferido, inseguro, debilitado, talvez ele perca, definitivamente, o endereço da paz, da alegria de viver, suas raízes, a felicidade.