Artigos do Padre

28/05/2015 - Artigos do Padre Haroldo - Sociedade Trinitária

Se, por um lado, há a exacerbação do individualismo, da exclusão, da solidão, por outro a sociedade reage promovendo comunhão e participação. Sente-se, em muitos lugares, a falta de “uma cultura da solidariedade”.

Quando se fala em “cultura da solidariedade” quer-se fazer mais que promover simples iniciativas solidárias. Busca-se criar uma cultura. Isso significa que os gestos, os símbolos, os significados que regulam a convivência das pessoas sejam regidos pela solidariedade. E há movimentos que estão gestando tal sociedade no meio do individualismo selvagem e excludente do sistema neoliberal. Para isso há mais de 60 anos que o “Curcilho de Cristandade” moveu a face da comunidade para uma “cultura de solidariedade”.

A experiência de “rede de comunidades” vem ao encontro desse mal-estar de individualismo. O mundo da vida e da convivência reclama por novos espasços. Já não são dados pelo lugar de habitação devido à natureza das grandes cidades. Pressupõe-se então nas pessoas interesse para que criem situações de encontro, de vida, tantas quantas forem os interesses suscitados: profissionais, lúdicos, intelectuais, sociais, políticos, religiosos. “Treinamento de Liderança Cristã” para jovens e “Amor Exigente” para adultos.

Núcleos de Interesse
Para satisfazer a necessidade básica humano-afetiva de encontro, pode-se pensar a criação de infinitos núcleos de interesses que agrupem as pessoas. Pais que têm em casa filhos envolvidos com droga podem criar um grupo para discutir e encontrar solução para tal situação, assim temos a “Pastoral da Sobriedade”. Outros desejam adestrar-se em alguma atividade, então se reúnem para se ajudar mutuamente. Outros querem rezar, ler a Escritura, discutir questões teóricas, estudar um assunto, e aí criam grupos com essas finalidades, os quais continuarão a existir enquanto o interesse estiver vivo, assim temos a “Renovação Carismática”.
Um cristão, olhando e analisando essa situação à luz de sua fé eclesial, descobre na corrente individualista uma negação profunda de sua natureza mais profunda de ser humano aberto ao comunitário. Sua fé eclesial protesta contra a destruição da dimensão comunitária na sociedade moderna.

Por outro lado, vê nos movimentos comunitários um atuar da presença da Trindade no coração das pessoas. E percebe aí lugar de viver em âmbito de sociedade a dimensão trinitária de sua fé eclesial. A rede de comunidades, que se amplia em todos os setores, parece responder à dimensão trinitária de nosso existir e crer. Temos “Comunidades Terapêuticas”.

Pergunta Ulterior
Com muito mais razão, o cristão pode questionar-se sobre a comunidade. Quais movimentos internos respondem à verdadeira natureza da comunhão trinitária e quais lhe resistem? A comunhão trinitária está vista nos muitos grupos Marianos.

Na Comunidade
O mesmo fenômeno na igreja paradoxal acontece na Igreja. De um lado, vive-se nela gigantesco anonimato. Perde-se em um individualismo religioso que termina no abandono das práticas eclesiais. De outro lado, surge um desejo de criar comunidades. Pensar nossa fé eclesial nessa tendência é um dos desafios atuais mais importantes.

Pequenas Comunidades Eclesiais
Em termos de Igreja, a rede de comunidade pode transformar a pastoral. Pode-se pensar a Igreja em dois movimentos complementares: o da vivência pessoal em pequenas comunidades e o da consciência de eclesialidade comunitária “católica” em atos da grande comunidade.

Em pequenas comunidades, a fé se alimenta sobretudo pela oração, leitura da Palavra, vivência dos sacramentos. Grupos de cristãos que se reúnem quer por proximidade de moradia, quer por interesses religiosos em comum, constituem as células vivas da Igreja.

LEMA

Nossa solidariedade e união vêm da Trindade, é ícone da Trindade e orienta-se para a Trindade. Estrutura-se à imagem da comunhão trinitária. Enquanto nossa união está na terra é uma imagem da Santíssima Trindade. E caminha para vivê-la em plenitude na Trindade eclesial.

“Ves a Trindade, se vês o Amor”. Santo Agostinho