Artigos do Padre

21/08/2015 - Artigos do Padre Haroldo - Vinho

Jesus destacou na última ceia o vinho. Jesus nem desprezava nem temia o vinho. Em Caná, ele o deu até a quem estava abusado dele. Por isso, o mordomo comentou com o noivo:

“Todos servem primeiro o bom vinho, e quando os convidados estão embriagados, o inferior. Tu, porém, guardaste o bom vinho até agora!” (Jo 2, 10).
O cálice de vinho era o cálice da gratidão do seu povo. O salmista fazia Israel rezar e cantar:
“Como darei graças ao Senhor por todo o bem que ele me fez? Tomarei o cálice da salvação e invocarei o Nome do Senhor!” (Sl 116,12-13).
O vinho fazia parte da vida e Jesus e do seu povo. Não podia fazer falta nas festas de Israel. Com naturalidade, Jesus o toma na ceia e faz dele o veículo do seu amor “até o fim” (Jo 13, 1), o sinal do mesmo sangue dado e derramado. Sua palavra criativa e criadora converte o cálice de vinho na realidade de sua presença e dom. É o cálice da sua “eucaristia”, Isto é, da sua “bela e boa ação de graças” que dirige ao Pai na véspera de sua Paixão e Morte. É o cálice da bênção e da aliança do Pai:
“O cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão com o sangue de Cristo?... ‘Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue – disse Jesus –, todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em memória de mim’” (1Cor 10, 16; 11, 25).
O cálice da amargura: sinal do sacrifício
Mas este cálice de benção também significa o cálice “da ira do Senhor” que Jesus bebe até o fundo em nosso lugar, em lugar de nós, pecadores:
“Javé tem na mão um cálice, onde fermenta um vinho com especiarias: ele o derramará; eles, os ímpios, sugarão sua borra. Eles o beberão, todos os ímpios da terra” (Sl 75, 9).
Na sua última caminhada para Jerusalém, Jesus experimentou o sabor amargo deste cálice. Ele acabava de avisar mais uma vez aos discípulos:
“Eis que subimos a Jerusalém e o Filho do Homem será entregue aos grandes sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte, e o entregarão aos pagãos para ser vítima de suas zombarias, submetido à flagelação e pregado na cruz.No terceiro dia ressuscitará” (Mt 20, 18-19).

Amigas
Maria Salomé era uma boa mulher. Viria a ser uma excelente amiga, firme, com Maria, mulher de Cléofas, ao lado de Maria, a Mãe de Jesus, lá no Calvário (Jo 19, 25; Mc 15, 40 e 16, 1).

Boa Mãe
Maria Salomé pediu a Jesus: “Manda que estes meus filhos se assentem um à direita e outro à esquerda quando estiveres em teu Reino.” Jesus respondeu: “Vocês não sabem o que pedem.”
Respondeu no plural “vocês”, pois Maria Salomé, para não deixar dúvidas, se tinha aproximado com os seus dois filhos já nas correspondentes e ambicionadas posições. Jesus perguntou-lhes simplesmente:
“Vocês podem beber do cálice que eu vou beber?” “Podemos!”

PARA REFLETIR
Só que beberiam de um modo muito diferente, através da solidariedade na dor, no sofrimento, naquela humildade que derrota, definitivamente, a soberba e o egoísmo.