Artigos do Padre

19/02/2016 - Artigo do Padre Haroldo - Amor de Verdade

Apaixonar-se não significa amar, mas desejar para si uma imagem que se cria da outra pessoa. Tudo é apenas um sonho, porque essa pessoa não existe. Por isso, quando se conhece a realidade dessa pessoa, como ela não coincide com o que estava imaginando, a paixão deixa de existir. A essência de tudo fica circunscrita aos desejos. Desejos que dão origem ao ciúme e ao sofrimento porque, não estando assentados sobre a realidade, vivem na insegurança e na desconfiança do medo de que todos os sonhos se acabem e desmoronem.

Quando alguém se apaixona, experimenta certas emoções e uma exaltação que agrada às pessoas que sofrem de insegurança afetiva, alimentadas por uma sociedade e uma cultura que fazem disso um verdadeiro comércio. Uma pessoa apaixonada não se atreve a dizer toda a verdade, por medo de que a outra se desiluda e vá embora.

Quanto tempo dura o prazer de acreditar que conseguimos o que desejávamos? O primeiro trago de prazer e um encanto, mas está irremediavelmente preso ao medo de perder tudo. Assim, quando as dúvidas tomam conta de nós, chega a tristeza. A própria alegria e exaltação, experimentadas quando o amigo chega, são proporcionais ao medo e à dor de quando ele vai embora... ou quando o esperamos e ele não vem... Será que isso vale a pena? Onde há medo não existe amor. Esteja certo disso.

Quando despertamos de nosso sono e vemos a realidade como ela é, nossa insegurança acaba e desaparecem os temores, porque a realidade é, e nada pode modificá-la. Então estamos em condição de dizer ao nosso próximo: como não tenho medo de perdê-lo, pois não é um objeto de propriedade de quem quer que seja, posso amá-lo exatamente como ele é, sem desejos, sem apegos, sem condições, sem egoísmos e sem querer sem dono dele. E esta forma de amar representa uma felicidade sem limites.

Que fazemos quando escutamos uma sinfonia? Procuramos ouvir cada uma das notas, nos deleitamos e a deixamos passar, sem tentar garantir a sua permanência, porque é no passar das notas que está a harmonia, sempre renovada e sempre fresca. Pois, no amor, é a mesma coisa. Quando nos agarramos à permanência, destruímos toda a beleza do amor. Não pode existir casal nem amizade que seja tão seguro quanto aquele que se mantém livre. O apego mútuo, o controle, as promessas e o desejo levam inexoravelmente aos conflitos e ao sofrimento e daí a muito ou pouco tempo ao rompimento definitivo. Porque os laços que baseiam nos desejos são frágeis demais. Só é eterno aquilo que se constrói sobre um amor livre. Os desejos sempre nos tonam vulneráveis.

ESTE SEGUNDO
O Padre adorava mostrar como a natureza está repleta de santidade. Certa vez estava sentado no jardim, quando exclamou:
- Vejam aquele reluzente pássaro azul pousando no galho da árvore, saltitando para cima e para baixo, enchendo o mundo com sua melodia, entregando-se ao prazer sincero, porque não tem ideia do amanhã.
No amor verdadeiro, o amor é “este segundo”.

LEMA
- Permita-me explicar a Boa Nova que minha religião anuncia – disse o pregador.
O padre prestou toda a atenção.
- Deus é amor. E Ele nos ama e recompensa para sempre se cumprimos seus mandamentos também no amor.